quarta-feira, 22 de maio de 2013
Cultura: Alimento para a alma
O povo não quer só comida, como diziam os Titãs.Esta composição musical abarca uma discussão muito cara à sociologia humana. Direciona-nos ao fato de que as necessidades humanas não se restringem aos aspectos físicos e biológicos.
Como bem disse a ministra Marta Suplicy, em artigo de mesmo título publicado na página de opinião da Folha, no último dia 28 de abril, o Brasil de Lula para cá fez progressos. Porém, “as classes que ascenderam, além do celular, aparelho nos dentes, tênis novo e filho na faculdade, querem acesso à cultura”.
A música de Arnaldo Antunes reflete uma crítica e instiga-nos a compreensão de que a produção e recepção de cultura e arterepresentam qualidades intrínsecasda pessoa humana. “Produzir” cultura é uma das maiores formas de consolidação da identidade do grupo social que a produz e esse aspecto, além de caracterizar o grupo, o diferencia dos outros.
O homem precisa mais do que comida como o mínimo necessário para sobreviver. Um dos seus direitos inalienáveis é o do acesso à cultura e ao lazer; é assim que ele se humaniza, que ele se percebe no outro, que ele cria e transforma a sua realidade social de forma dinâmica e criativa.
É preciso entender a importância da produção cultural de um povo. Priorizar ações e investimentospara ofertar cultura à nossa população, principalmente aos setores mais carentes e excluídos, àquela que nunca teve chance de ver um espetáculo teatral ou musical e mesmo visitar um museu ou uma exposição artística.
Pensando assim que propus e inaugurei, este mês, no auditório da Câmara Municipal, uma Galeria Permanente de Artes (gostaria, pelo nome, que fosse permanente mesmo!). Uma belíssima exposição com 200 fotos do fotógrafo João Veiros - o amigo João Português. Uma obra sem custo, que oportunizou um espaço subutilizado tornando-o num cenário de rara beleza artística, já visitado por centenas de pessoas neste curto espaço de tempo.
Diga-se de passagem, é a primeira e única galeria de artes (pública ou privada) numa cidade de mais de 100 mil habitantes. Um espaço central, climatizado, frequentado diariamente por dezenas de cidadãos que buscam informações e levam demandas aos gabinetes parlamentares, ao CAC, que participam das reuniões e audiências públicas, e que agora podem também ter um contato com as artes e se apropriar um pouco mais do conhecimento cultural.
Inclusive, gostaria de informar/convidar: nesta sexta-feira, dia 24/5, às 19 horas, a Galeria de Artes se transforma em cinema para recebera 9ª Cinedocumenta, com a exibição do filme “Sob o véu do Islã”, direção de Luiz Carlos Lucena (São Paulo), duração 71 minutos, classificação livre, entrada franca. Produção e gentileza do amigo Éderson Caldas. Parceria com a Escola Estadual Professor Pedro Calmon e patrocínio da Usiminas, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura.
Vale a pena conferir a nossa Galeria de Artes, ou consumir, consumo de cultura, aproveitando para “beber” arte e “comer” arte!
Marcos da Luz é vereador pelo PT e atual presidente da Câmara Municipal de Coronel Fabriciano
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