Na véspera das comemorações dos 61 anos de emancipação político-administrativa de Coronel Fabriciano, o vereador e líder do Governo na Câmara Municipal, Marcos da Luz (PT), manifestou ontem a sua vontade de ver alterada a denominação da avenida Magalhães Pinto, principal via de ligação entre o Centro e os bairros do distrito Melo Viana.

A razão desta sua declaração é, segundo ele, a perversidade com a qual o ex-banqueiro que governou o Estado de Minas Gerais, de 1961 a 1966, José de Magalhães Pinto, tratou o município de Coronel Fabriciano, sendo o responsável pela situação de penúria econômica em que deixou a cidade após a emancipação de Ipatinga e Timóteo, decretada por ele em 1964.
Ele lembra que, segundo relatos, foi também Magalhães Pinto que, em 07 de outubro de 1963, deu a ordem para que as tropas militares atirassem contra os operários da Usiminas que manifestavam por melhores condições de trabalho na portaria da fábrica, fato que ficou marcado na história mineira como o “Massacre de Ipatinga”. Na época, Ipatinga pertencia ao município de Coronel Fabriciano.
Este evento foi o prenúncio do golpe militar de 1964, do qual Magalhães Pinto foi um dos principais artífices. O ex-governador arquitetou com Castelo Branco a tomada do poder pelos militares e ficou encarregado até de iniciar o levante. No dia 31 de março, as tropas de Minas marchavam rumo ao Rio de Janeiro.
Já na condição de ministro das Relações Exteriores no regime militar, no governo de Costa e Silva, Magalhães Pinto foi um dos que assinaram o Ato Institucional nº 5, em 1968, o mais repressivo de toda a ditadura militar.
Fraudes
Fundador do Banco Nacional em 1944, Magalhães Pinto foi acusado de promover um dos maiores escândalos de instituições financeiras do país a partir de 1986. Com denúncias de gestão temerária e fraude contábil, o Nacional sofreu intervenção do Banco Central e foi posteriormente incorporado ao Unibanco. Seus filhos respondem até hoje a processos na Justiça por terem estado à frente daquele que chegou a ser um dos cinco maiores bancos privados do País.
Emancipação
A emancipação dos distritos de Timóteo e Ipatinga, em abril de 1964, deixou Fabriciano a ver navios, justo quando o município iria começar a receber dividendos tributários das duas siderúrgicas instaladas nos vilarejos, Acesita e Usiminas, respectivamente. Hoje, a base da receita pública das cidades vizinhas é justamente a arrecadação advinda da produção industrial, que representa a maior parcela do Valor Adicionado Fiscal (VAF), principal critério de distribuição do ICMS.
Mesmo com um comércio ativo e a prestação de serviços em crescente evolução, a economia da cidade não consegue atender a contento as demandas sociais e de infraestrutura urbana, fruto do processo de ocupação ocorrido quando da instalação das usinas siderúrgicas. E a população de Fabriciano ainda hoje sofre com a disparidade sócio-econômica visível entre as três cidades, por não ter sido criada pelo governador Magalhães Pinto nenhuma política compensatória pós-emancipação.
Viaduto
Antigos moradores afirmam que a avenida principal da cidade recebeu o nome de Magalhães Pinto devido ter sido no seu governo a construção do viaduto do Trevo, sobre a antiga MG-4, que depois foi federalizada (BR-381) e que agora está sendo municipalizada mediante convênio com o DNIT. Conta Clodomiro de Jesus, o seu Miro da Banda, ex-vereador e ex-vice-prefeito da cidade, que o nome da avenida seria Dom Helvécio, mas para agradar ao governador o prefeito à época optou por homenageá-lo ao invés de atender os pedidos da comunidade. Também há rumores da tentativa de se mudar o nome atual da avenida para José Isabel do Nascimento, fotógrafo morto no “Massacre de Ipatinga”.
Plebiscito
Marcos da Luz informou já ter recebido diversos pedidos para apresentar Projeto de Lei a fim de alterar o nome da avenida Magalhães Pinto, dizendo-se inclusive favorável à ideia, mas acredita que uma mudança dessas pode causar transtornos para os comerciantes e moradores da via e, por isso, precisa ser bem discutida. “Primeiro, há a questão cultural, as pessoas precisam saber e conhecer melhor a história para tomarem consciência das maldades de Magalhães Pinto, mas sabemos que não é fácil assim; depois, tem a questão econômica, pois os comércios já são referenciados pelo nome da avenida e tem o custo para adequações, inclusive cartorial; por último, para uma mudança dessa, devemos ouvir a opinião popular. Penso que talvez um plebiscito seria o melhor caminho, inclusive com sugestões de nomes. Se essa for a vontade da maioria, talvez a Câmara possa aprovar a mudança e corrigirmos o rumo da história”, diz.
Histórico
Deputado por diversos mandatos, secretário de estado, senador, ministro e governador, Magalhães Pinto nasceu em Santo Antônio do Monte, em 28 de junho de 1909, vindo a falecer em 06 de março de 1996, no Rio de Janeiro, aos 86 anos.


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